Instituto IT Midia

TI se mobiliza para criação de Manifesto por um Brasil digital

Cada dia fica mais claro quanto o crescimento econômico, o desenvolvimento e o posicionamento do Brasil como nação pronta para os desafios do futuro estão associados à inserção de tecnologias e inovação como pilares estratégicos nos projetos de País.

A questão é que, em um país com dimensões continentais e realidades tão distintas como o Brasil, a falta de acesso à infraestrutura tecnológica torna-se um grande empecilho para o crescimento. O Índice Nacional de Inovação, elaborado pela Universidade de Cornell (EUA), classifica o Brasil na distante 69ª posição no ranking global de inovação, que avalia 140 economias. Posição muito longe do nosso potencial.

O avanço do País está diretamente ligado à necessidade de construir, assim como fez a Organização das Nações Unidas (ONU) com os Objetivos do Milênio, uma proposta clara e objetiva que insira o investimento em tecnologia, ciência e inovação no projeto de País.

A IT Mídia, como empresa de comunicação e em busca de um engajamento maior do setor e da sociedade e em torno da tecnologia da informação, está dando o pontapé inicial a uma discussão que tem como principal objetivo construir um propósito para inclusão da Tecnologia da Informação e da inovação como pilares estratégicos para o crescimento o e desenvolvimento do Brasil.

Em debate promovido na última terça-feira (17/10), na sede da IT Mídia, em São Paulo (SP), foram apresentados os primeiros insightsdo chamado “Manifesto por um Brasil Digital”. O movimento busca engajar todo o setor de TI, seja a indústria, acadêmicos ou o poder público.

O primeiro debate, como parte do programa Trend Talks – que reúne lideranças de TI para debates -, recebeu os seguintes convidados – todos comprometidos com a iniciativa em questão: Daniel Annenberg, Secretário de Tecnologia e Inovação da Cidade de São Paulo; Gilson Magalhães, presidente da Red Hat; Juan Quirós, presidente da SP Negócios; Mauricio Ruiz, presidente da Intel; Ruy Shiozawa, presidente do GPTW Brasil; e Silvio Genesini, presidente do Lide Tecnologia. Os convidados foram recepcionados no debate pelo presidente da IT Mídia, Adelson Sousa, e por Déborah Oliveira, editora do IT Forum 365, responsável pela mediação do debate.

Adelson Sousa, presidente da IT Mídia: “TI pode fazer a diferença”

Sousa explica que a principal motivação da iniciativa da IT Mídia é poder unir a reputação da companhia como agregadora do setor de tecnologia para reunir ideias e esforços rumo ao mesmo objetivo: o desenvolvimento pleno do País. “É um chamamento de várias lideranças e uma conversa inicial para que possamos sensibilizar a sociedade como um todo e que a tecnologia possa movimentar o País e ser um pilar estratégico”, afirmou, durante o debate.

A discussão completa será disponibilizada em breve no canal do IT Forum 365 no YouTube.

Próximos passos

Segundo Sousa, esta foi a primeira etapa de um trabalho que começará a ser difundido fortemente a partir de 7 de novembro, durante a abertura do IT Forum Expo, evento promovido pela IT Mídia no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP), quando a inciativa será apresentada ao público do evento. A expectativa é da presença de aproximadamente 8 mil pessoas nos dois dias de evento.

No próximo ano, mais um importante passo será dado durante uma reunião com CEOs da indústria de TI e de outros setores, que entenderam a tecnologia como fundamental ao negócio e à economia. Na ocasião, em mais um encontro promovido pela IT Mídia, haverá um amplo debate em torno do propósito e das ações sugeridas para desdobramento do plano.

O resultado dessa jornada será entregue aos principais candidatos à Presidência, considerando o ano de eleições que se aproxima.

Pontos do Manifesto

O Manifesto se apoiará em três importantes pilares, essenciais para o desenvolvimento do setor e, consequentemente, da nação: educação básica, empreendedorismo digital e monetização da legislação trabalhista. Os três itens foram temas principais do debate da última terça-feira.

Foco em educação

Dados do CGI revelam que 96% das escolas brasileiras em áreas urbanas estão conectadas à internet, mas poucas utilizam o real potencial educativo da conexão, restringindo seu uso a pesquisas gerais, trabalhos em grupo e simples aulas expositivas.

Educação foi o principal desafio citado pelos convidados. Annenberg cita os obstáculos para modernização de escolas públicas e ressalta que os primeiros passos foram dados, apoiados pela iniciativa privada. Uma das ações foi a doação de equipamentos Cisco legados dos Jogos Olímpicos Rio 2016. “Precisamos levar a educação para o Século 21. A ideia é que os Centros Educacionais Unificados (CEUs) tenham itens como jogos e lousas digitais para usarmos a tecnologia como incentivo às crianças. Elas não querem mais ir para escola – estão interessadas apenas no game, no celular. Queremos cativar as crianças para mostrar que a escola é um lugar interessante”, destaca.

A falta de um ensino de qualidade e atualizado reflete diretamente na escassez de profissionais para importantes funções, como lembra Genesini. “A formação da mão de obra para o mercado de trabalho do futuro é importante e precisa ser feita agora. Precisamos trabalhar cedo nas escolas para que jovens desenvolvam habilidades. Temos falta de engenheiro, matemáticos e desenvolvedores de software”, comenta.

Nesse sentido, Shiozawa afirma que o desafio atual não deve ser como será o trabalho do futuro, mas sim como iremos resolver a demanda reprimida atual. “O buraco já existe. A preocupação maior não é com a profissão que vai sumir, mas sim com a que já apareceu e não conseguimos resolver”, afirma, citando a profissão de programador.

Forças convergentes

Os desafios estão de todos os lados, mas as soluções também. A cada dia novas tecnologias surgem e, ao mesmo tempo, iniciativas de utilizá-las. Mas, segundo Ruiz, falta definir de fato onde o Brasil quer chegar. “Só vamos conseguir alinhar todos os vetores se tivermos alguém que lidere”, opina.

Para Quirós, o grande problema é que as iniciativas não visam o bem coletivo. “Cada vetor tem seu dono e cada dono tem sua estratégia. Não conseguimos até hoje coordenar uma estratégia com todos os vetores”, lamenta.

Mais uma chance está sendo criada para o setor de TI, que, para Magalhães, deve assumir o protagonismo da transformação digital. “Não dá para passar essa bola para nenhuma outra indústria. A transformação digital surgiu na nossa indústria e, se não tentarmos modificar, e estimular gestores na nossa própria área, pouca coisa vai acontecer. O movimento é excelente”, conclui Magalhães.

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